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Não Falo Com Estranhos

S í l v i a  S c h m i d t
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Não temos a mínima idéia de quantas vezes já afirmamos:
"Não falo com estranhos".

Nunca nos passou pela cabeça que quando nascemos
éramos um "estranho" chegando ao seio de uma família.
Afinal, ninguém sabia que "bicho" ia dar!
Quem podia jurar que éramos alguém bom entrando ali?
Poderia estar chegando - nada mais, nada menos -
o que tacham de "ovelha negra da família".
Felizes os que apostaram nos pequenos estranhos e ganharam!
O que tem de gente que lamenta ser pai ou mãe ou irmão
de algumas pessoas perfaz um número assustador.
E lá estão eles convivendo com inimigos.

Não existe uma única profissão que não exija do profissional
que ele converse, que entre em contato com estranhos.
Pense em qualquer uma agora e conclua por si próprio.

Na internet, então, nem se fale!
Se passássemos a vida toda ganhando amigos,
nem que vivêssemos 100 anos conseguiríamos
atingir o número de amigos (e inimigos!) que ganhamos
neste imenso espaço que nomeamos de "mundo virtual".
Quantos deles nós conhecemos pessoalmente?
Nem 1% deles nós já vimos cara a cara.
São estranhos! Nós falamos com estranhos!
Abrimos nosso coração, contamos intimidades,
histórias de família, desgostos com este ou com aquele,
pedimos orações, ganhamos corações, guardamos
alguns segredos, revelamos outros, e o diabo a quatro.

Quem nos garante que o nick adotado por um
internauta é atestado de segurança e credibilidade?
Nós "viajamos na maionese" com determinados nicks.


Note que os nicks acusam - quase de forma geral -
aquilo que alguns adorariam ser, mas não são.

Exemplos:
"Lobo Mau" pode ser o nick de alguém bem bondoso;
"Ave da Montanha" pode ocultar pessoa que nunca
subiu uma escadaria com mais de 30 degraus;
"Rosa de Amor": será que é alguém amoroso mesmo?
Até pode ser um espinheiro daqueles!

São apenas alguns de milhões de exemplos que, se listados,
dariam uma lista maior do que a distância entre o céu e a terra.
E cá estamos nós com muitos deles em nossa agenda eletrônica.
São estranhos...e nós falamos com estranhos, sim!

Eu, pessoalmente, prefiro os que vêm com seus nomes.
Mas quem garante que os nomes são verdadeiros?

Afinal, quem é um estranho?
Aquele que passa por nós na rua?
Os que ficam horas conosco numa fila de banco?
Aquele "mal-encarado" plantado numa esquina?

O que ocorre é que aqueles que não conhecemos parecem
ameaçar a nossa integridade física ou moral e só por
isso são chamados assim: "estranhos".

Na verdade mesmo, pra valer, há só um "estranho"
que pode nos por em risco 24 horas por dia: nós mesmos.
A gente se dá cada lambada!

Há 2 frases muito mentirosas que usamos:
1) Não falo com estranhos;
     2) Eu ME conheço muito bem.


Não seria bom demais se a gente SE conhecesse mesmo?
Quem sabe não estamos dando plantão 24 horas com
alguém 'interior' que consegue ameaçar nossa segurança?
É bem provável que estejamos nas mãos de um "estranho".
Tomemos posse de nós mesmos e do que é nosso por direito!

Conhecer-SE e Reconhecer-SE não é uma
tarefa fácil, mas a gente vale a pena!


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S í l v i a  S c h m i d t

São Paulo/SP - julho de 2006 -
Direitos Autorais Protegidos
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Seqüência Midi: Barry Taylor



Lembrete: Zidane parecia conhecer-SE muito bem
e traiu a si mesmo na Copa do Mundo de 2006.





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Página elaborada por Leila Beiler


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