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Eu Acreditei
© Mirella Luchinytzs
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Enquanto as pessoas aqui denominam " virtual " qualquer sentimento,
eu sempre acreditei que todos os sentimentos são reais.


Nunca consegui apenas sentir alguma coisa quando estando on line,
e depois sair da relação como se sai em " Log Off " .


Eu acreditei em tudo que senti e ouvi.
Eu acreditei em tudo que me foi prometido.


Eu acreditei do mesmo jeito que as pessoas acreditam
nas outras quando estão frente a frente.
Eu acreditei que meus desejos comuns e naturais iam se realizar.


Eu acreditei nas horas de carinho, dedicação e candura.
Eu acreditei nas imagens que via, nos olhos que
me olhavam através de uma câmera.
Eu acreditei na boca que falava e nos dedos que digitavam.
Eu acreditei em todos os momentos que havia uma sintonia especial.


Acreditei e relutei até o momento em que percebi que somente EU
havia feito como minha realidade a " virtualidade" que aqui impera.


Eu acreditei até nas " mentiras sinceras " , porque assim as coisas
poderiam ficar mais humanizáveis, menos constrangedoras.


Eu acreditei que pessoas mudam, que caráter se modifica,
que não precisamos de muito para saber viver dentro
da verdade e com honestidade.
Basta falar com o coração e deixar os dedos digitarem sinceramente.


Eu acreditei.
Eu acreditei , até me ver sem chão.


Eu acreditei até que percebi que algumas pessoas
desligam a máquina e se desligam com ela, mudam de programa
assim como mudam o canal da televisão.
Tão simples como acionar o controle remoto ... simples demais
para quem não "saca" que atrás da máquina tem gente,
sentimento, esperança, desejos, saudade.


Parece complicado para essas mesmas pessoas entenderem que
quando se desliga o monitor, o som e todos os recursos existentes
para se estar on line, não há como desligar a outra pessoa do outro lado.


Não se desligam sentimentos.
Não se colocam em " stand by " carinhos, afagos e sorrisos.
Não se eliminam prazeres, alegrias e trocas como se virus fossem.
Não se apagam da memória detalhes de um amor puro.
Memória não se formata.


Eu acreditei e hoje levo meus sentimentos na memória,
na alma e dentro do meu coração, feito de músculos, veias e sangue
que circula bombeando vida e ainda uma pontinha de esperança
que do outro lado exista alguém semelhante e não apenas fios ligados
na voltagem 110/220 watts levando qualquer coisa para qualquer lugar.


Eu acreditei ... sinceramente, eu acreditei.

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Mirella Luchinytzs
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por Eduardo e Irany Lecea
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